
A nova pesquisa Datafolha mostra que a maioria dos brasileiros não comprou a versão de que o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil seria apenas uma questão comercial. Para 52% dos entrevistados, a decisão do presidente Donald Trump tem endereço político e objetivo claro: favorecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Enquanto isso, 37% discordam dessa leitura e 11% preferiram não opinar.
O resultado escancara uma desconfiança crescente sobre os bastidores da medida. Afinal, quando uma potência econômica resolve apertar o cerco contra produtos brasileiros em pleno período pré-eleitoral, muita gente vê mais cálculo político do que preocupação com balança comercial.
Para a maioria dos entrevistados, a conta parece simples: a tarifa sobe aqui e a pressão política cresce ali.Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a percepção é ainda mais contundente. Nada menos que 73% acreditam que Trump tenta influenciar o cenário político brasileiro em favor de Flávio Bolsonaro. O dado revela que, para esse grupo, a guerra tarifária tem muito mais cheiro de campanha eleitoral do que de negociação econômica.
Mas o número que chama atenção é outro: até entre os eleitores de Flávio Bolsonaro há quem enxergue a movimentação americana como uma tentativa de favorecimento. Segundo a pesquisa, 29% dos apoiadores do senador concordam com essa avaliação. Ou seja, nem mesmo entre seus simpatizantes existe consenso sobre a natureza da medida adotada pela Casa Branca.
No fim das contas, a pesquisa sugere que boa parte dos brasileiros olha para as tarifas de Trump com a mesma desconfiança de quem recebe uma ligação de banco oferecendo vantagem demais. Oficialmente, fala-se em comércio. Na percepção popular, porém, a conversa parece envolver algo bem maior: a disputa pelo poder no Brasil.
