Faltam apenas 30 dias para que governantes de todo o país desfilem suas últimas inaugurações, cortem as derradeiras fitas e acelerem a entrega de obras que, em muitos casos, passaram anos aguardando na gaveta. De repente, o calendário eleitoral transforma o impossível em urgente, e aquilo que parecia não ter prazo ganha prioridade máxima.
A legislação eleitoral existe justamente porque a experiência brasileira mostrou que, quando o assunto é eleição, alguns gestores confundem administração pública com palanque. Por isso, a lei fecha a torneira da publicidade institucional, restringe transferências de recursos e limita uma série de atos administrativos que poderiam ser usados para turbinar candidaturas às custas da máquina pública.
Não por acaso, o presidente Lula e os governadores devem intensificar agendas, viagens e anúncios nas próximas semanas. É a tradicional corrida contra o relógio, em que cada entrega precisa ser exibida antes que a legislação imponha silêncio. Afinal, obra pronta rende foto; obra parada rende explicação — e essa costuma ser bem menos atraente.
O curioso é que as restrições não impedem governar, apenas impedem transformar o governo em propaganda eleitoral. Se em apenas 30 dias é possível acelerar tantas ações, fica a pergunta que sempre acompanha esse período: por que a mesma velocidade não aparece com tanta frequência nos anos em que não há eleição à vista?
A pergunta que não quer calar. Será que o condomínio Dona Ivone será inaugurado antes das eleições, e dentro dos próximos 30 dias?
PUBLICAMENTE a data de inauguração e entrega ainda não foi divulgada
FOTO: Inlustração
