
O senador Flávio Bolsonaro resolveu mirar o Banco Master e classificou o caso como o “maior escândalo bancário da história” em uma carta enviada ao governo dos Estados Unidos. No documento, ele pede que as tarifas anunciadas pela gestão de Donald Trump contra produtos brasileiros sejam adiadas para depois das eleições, alegando que a medida acabaria beneficiando politicamente o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
A carta segue um roteiro já conhecido: corrupção, STF, redes sociais e críticas ao PT. Flávio cita a Operação Lava Jato, o mensalão e até decisões recentes do Supremo para sustentar a tese de que o Brasil enfrenta um grave problema institucional. Para reforçar o argumento, aponta supostas conexões entre o Banco Master e figuras ligadas ao governo, tentando transformar o caso em um símbolo da gestão petista.
O detalhe inconveniente é que o senador esqueceu de incluir um personagem importante na narrativa: ele mesmo. A carta não menciona as mensagens em que Flávio pede recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, nem o fato de o empresário ter investido milhões na produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Quando o escândalo serve para atacar adversários, os vínculos próprios parecem desaparecer do roteiro.
A contradição fica ainda mais evidente porque o próprio senador admitiu ter se encontrado com Vorcaro após problemas judiciais enfrentados pelo banqueiro. Enquanto aponta o dedo para relações entre o empresário e integrantes do governo, evita explicar por que manteve proximidade com alguém que agora apresenta como símbolo máximo da corrupção nacional. O velho ditado continua atual: para alguns políticos, o problema nunca é a amizade com o investigado, mas quem aparece na foto ao lado dele.
No fim, a carta parece menos preocupada com tarifas comerciais e mais interessada na disputa eleitoral de 2026. Mistura acusações, críticas ao STF, ataques ao governo e pedidos diretos a uma potência estrangeira para influenciar o cenário político brasileiro. Uma estratégia curiosa: denunciar supostas interferências internas enquanto busca apoio externo para alterar os rumos da política nacional.
