Pra justificar possível derrota nas eleições, Flávio ataca as urnas

Em ano pré-eleitoral, parece que as urnas eletrônicas voltaram a ser candidatas ao cargo de principal assunto da política nacional. Desta vez, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, colocou novamente o sistema de votação no centro do debate ao relacionar as urnas brasileiras a equipamentos utilizados na Venezuela.

A comparação não demorou a produzir efeitos. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reagiram com rapidez e classificaram as declarações como “graves” e “absurdas”. Em outras palavras, a temperatura política subiu antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral.

A polêmica surgiu após o senador citar um relatório da CIA sobre supostas fraudes eleitorais na Venezuela e sugerir uma ligação com as urnas brasileiras. O detalhe é que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) voltou a afirmar que não existe qualquer vínculo entre o sistema utilizado no Brasil e a empresa frequentemente mencionada nessas teorias que insistem em sobreviver ao teste dos fatos.

O episódio acontece justamente quando a pré-campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta turbulências. Entre dificuldades para consolidar alianças e desgastes políticos envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o debate sobre as urnas acabou ocupando mais espaço do que as propostas para o país.

Entre os ministros que comentaram o caso, Gilmar Mendes foi um dos mais enfáticos. Segundo ele, as declarações são incompatíveis com a realidade do sistema eleitoral brasileiro, que segue sendo defendido pelas instituições responsáveis pela organização e fiscalização das eleições.

Na avaliação de integrantes do STF, recorrer a relatórios produzidos por governos estrangeiros para questionar o processo eleitoral nacional não fortalece o debate. Pelo contrário: serve para reacender uma discussão que já foi analisada, respondida e arquivada diversas vezes pelos órgãos competentes.

Outros ministros lembraram que esse roteiro não é exatamente uma estreia. As mesmas suspeitas, com pequenas variações no elenco e no cenário, já circularam em eleições anteriores e foram repetidamente contestadas pela Justiça Eleitoral. Pelo visto, algumas narrativas têm mais vidas do que personagem de videogame.

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