Corrida contra o tempo

O ex-governador do Rio, Cláudio Castro, resolveu fazer o esporte da política que ele conhece bem: recorrer, recorrer e recorrer, para tentar reverter uma decisão que o deixou inelegível até 2030. Motivo? Abuso de poder político e econômico — o tipo de acusação que, quando aparece, costuma deixar um rastro bem… desconfortável.

O caso, afinal, tem cara de novela repetida: contratações feitas por decreto para mais de 27 mil temporários na Fundação Ceperj e na UERJ. Sim, vinte e sete mil. Porque, aparentemente, no Rio, “urgência” tem nome e endereço fixos: conveniência eleitoral. E não foi barato. As contratações custaram R$ 519 milhões só no primeiro semestre de 2022 — números que seriam difíceis de explicar até para quem adora dizer “tá tudo dentro da lei”. Segundo o Ministério Público, esses funcionários teriam atuado como cabos eleitorais nas eleições de 2022. Ou seja: não era “gestão de pessoal”, era orquestração de voto com orçamento público.

Enquanto isso, o estado segue sob comando interino do desembargador Ricardo Couto (presidente do Tribunal de Justiça). Porque, quando a política falha, sempre sobra alguém tentando manter a máquina andando — nem que seja no modo “segurança”.

E se Castro não conseguir virar a página no TSE, não tem problema: ele ainda poderá levar o assunto para o Supremo Tribunal Federal. Como se a elegibilidade fosse uma assinatura que dá pra contestar no infinito — até alguém convencer o país de que isso não foi, no mínimo, um arranjo bem suspeito.

DQ

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