Romeu Zema e a perigosa mania de culpar os mais pobres

As declarações de Romeu Zema durante um evento em São Paulo mostram mais uma vez como parte da elite política brasileira prefere apontar o dedo para quem depende de programas sociais em vez de encarar os verdadeiros problemas do país. Ao afirmar que o Brasil estaria criando uma “geração de imprestáveis”, o ex-governador escolheu um alvo fácil: milhões de brasileiros que enfrentam desemprego, informalidade e baixos salários para conseguir sobreviver.

A fala ignora uma realidade que qualquer trabalhador conhece. O mercado formal não está repleto de oportunidades esperando candidatos qualificados. Em muitas regiões, empregos com carteira assinada são escassos, enquanto a informalidade surge como a única alternativa para colocar comida na mesa. Tratar vendedores ambulantes, diaristas, entregadores e trabalhadores autônomos como pessoas que simplesmente “se recusam a trabalhar” revela um profundo distanciamento da vida real.

Também chama atenção a facilidade com que Zema transfere a responsabilidade do problema para as famílias de baixa renda. Se há falta de qualificação profissional, a pergunta que fica é: onde estão os investimentos necessários em educação técnica, geração de empregos e desenvolvimento econômico? É mais simples culpar os beneficiários de programas sociais do que admitir que o próprio Estado e o setor produtivo falham há décadas em criar oportunidades suficientes para todos.

Ao chamar brasileiros vulneráveis de “imprestáveis”, Zema não apresenta uma solução; apenas reforça um discurso que estigmatiza a pobreza e transforma vítimas da desigualdade em culpados pela própria situação. Em vez de construir pontes para quem precisa de apoio, o candidato opta por erguer muros de preconceito. E isso diz muito mais sobre sua visão de país do que sobre os trabalhadores que ele resolveu atacar.

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