Ricardo Couto e sua Caneta Bic fez mais uma dança das cadeiras

Ah, o Rio de Janeiro, esse oásis de estabilidade administrativa onde as cadeiras do primeiro escalão giram mais rápido do que pião em ladeira. O governador em exercício, Ricardo Couto, decidiu que o tédio não tem vez em sua gestão e brindou o Diário Oficial desta quarta-feira (29) com mais um pacotinho de surpresas. Afinal, quem precisa de planejamento a longo prazo quando se pode brincar de “dança das cadeiras” com secretarias estratégicas? É a famosa eficiência carioca em seu estado bruto, onde o lema parece ser “mudança pela mudança, porque a inércia já estava monótona”.

Desta vez, as vítimas — ou seriam os espertos que pularam do barco a tempo? — foram as pastas de Infraestrutura e Obras Públicas e de Ciência, Tecnologia e Inovação. Os titulares Raul Marques Fanzeres e Renata Sphaier de Freitas pediram para sair, num gesto comovente que nos faz ponderar se o cargo vinha com direito a insônia crônica ou se a vontade de sumir foi pura coincidência coletiva. O governo, sempre ágil em suas piruetas burocráticas, tratou de oficializar as exonerações sem perder o rebolado, mantendo a engrenagem girando no escuro.​

Para a sempre cobiçada Secretaria de Obras, a cartola mágica do Palácio tirou Pablo Villarim Gonçalves. Até ontem um pacato subsecretário de Planejamento e Orçamento, Pablo agora assume o pepino… perdão, a missão de conduzir as políticas de infraestrutura do estado. A lógica é impecável: se ele já entendia de números e orçamentos, agora pode ver de perto para onde o dinheiro vai escorrer, digo, ser investido. A transição promete ser imediata, afinal, obras no Rio não podem parar — principalmente aquelas que começam, param, dobram de preço e viram lenda urbana.

Enquanto a pasta de Obras ganhou um dono para chamar de seu, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação foi sumariamente deixada ao deus-dará. Sim, a área responsável por pensar o futuro, a inovação e o ensino superior do estado agora desfruta de um cargo vago, como quem diz que a tecnologia pode esperar um pouquinho enquanto o governo resolve seus palpites políticos. É uma estratégia genial: como inventar o futuro se o presente já é uma comédia pastelão ambulante?

​A ausência de um comandante para a ciência e tecnologia choca apenas os ingênuos que ainda acreditam em planejamento estratégico. No Rio de Janeiro, a inovação tecnológica parece se resumir à capacidade criativa de gerenciar crises e inventar justificativas para a falta de liderança. Afinal, para que gastar neurônios pensando em ciência quando se pode simplesmente fingir que a pasta está funcionando à base de pensamento positivo e fé?

​No fim das contas, essa reorganização administrativa não passa de mais um capítulo da novela governamental onde os personagens mudam, mas o roteiro improvisado continua o mesmo. Ricardo Couto vai empilhando decretos e trocando peças como quem joga Banco Imobiliário com regras próprias, enquanto o contribuinte assiste de camarote a esse festival de improviso. Resta saber se o próximo decreto trará um cientista de verdade para a pasta perdida ou se o governo vai terceirizar a inovação para o departamento de achados e perdidos.

DQ

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